E depois do médio? Expectativas de futuro de jovens com percursos escolares irregulares

Título: E depois do médio? Expectativas de futuro de jovens com percursos escolares irregulares
Autor/es/a/as: 
Ano: 
2015
Formato: 

E depois do Médio? Expectativas de futuro de jovens com percursos escolares irregulares. Orientador: Paulo Cesar R. Carrano. Niterói-RJ/UFF, 23/02/2015. Dissertação de Mestrado em Educação, 102 páginas. Campo de Confluência: Diversidade, Desigualdade Social e Educação. Linha de Pesquisa: Práticas Sociais e Educativas de Jovens e Adultos.

Este trabalho objetivou investigar em que medida variáveis, intra e extra escolares, obstaculizam a construção das expectativas de futuro de jovens do Ensino Médio com trajetórias escolares acidentadas. Foram utilizados dados quantitativos do Survey da pesquisa Jovens Fora de Série: Trajetórias Truncadas de estudantes do Ensino Médio no Estado do Rio de Janeiro, desenvolvido pelo Observatório Jovem (UFF/FAPERJ/CNPq). O banco de dados da referida pesquisa, é composto por 593 jovens estudantes da modalidade EJA e do Programa Autonomia de 14 escolas estaduais da cidade do Rio de Janeiro. Utilizando os dados deste Survey, cruzamos os planos de futuro explicitados pelos jovens com variáveis de perfil. Na correlação com sexo e cor/raça, vimos que os projetos de vida dos jovens sofrem efeitos de clivagens sociais historicamente construídas, uma vez que observamos que mulheres levam certa vantagem sobre homens e jovens brancos sobre pretos e pardos no que se refere às expectativas de ingresso no Ensino Superior. Não evidenciamos interveniências do nível de escolaridade materna sobre as perspectivas de futuro dos jovens investigados na correlação direta entre as duas variáveis. Concluímos tratar-se de uma relação não tão linear e mais aberta às escolhas dos indivíduos. No cruzamento com local de moradia, observamos que moradores de comunidade têm maiores expectativas de conquista de um diploma universitário que os demais. Apostamos na possibilidade de impactos benéficos de políticas de inclusão social, há algum tempo em voga no país, nas expectativas desses sujeitos. Sobre as interveniências da trajetória escolar na formação de expectativas de futuro, verificamos que quanto mais se acumulam anos de retenção, mais diminuem as expectativas de ingresso numa universidade e aumentam as perspectivas de tão somente procurar um emprego ao fim do nível médio. Vimos que repetência e autoconceito escolar estão imbricados no conjunto de expectativas de futuro. Verificamos também que jovens que já abandonaram no Ensino Médio têm maiores desejos de ingresso numa universidade. Refletimos, então, sobre possibilidade de ressignificação da escola em outra fase da vida. Sugerimos que, em especial para jovens da EJA, retornar a escola se faz em meio a reconfiguração de projetos de vida na qual a instituição escolar tem peso significativo. Resultados semelhantes foram encontrados em relação a trabalho: jovens com experiência no mundo laboral apresentaram maiores perspectivas de fazer faculdade. Ressaltamos o quanto trabalho e escola se alinhavam para construir projetos de vida. Para interpretar nossos resultados, utilizamos o conceito de Projetos de vida, de Alfred Shutz, de Campo de Possibilidade, de Gilberto Velho e de provas e suportes existenciais, de Danilo Martuccelli.

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Comentários

imagem de ANGELA DA SILVA

E depois do médio? Expectativas de futuro de jovens....

Realmente a situação dos acidentes de percurso, faz com que nossos alunos interrompam seus sonhos, objetivos com relação aos estudos... Poucos voltam a estudar, o trabalho é a maior causa, o cansaço,o desânimo, a família, enes motivos o fazem desistir. A escola faz de tudo, reclassifica, liga atrás chamando pra voltar pra escola, usa de tudo pra trazer o aluno de volta... Porém, muitas vezes a forma de aprendizagem não é atrativa pra ele, tornando assim, cada vez mais difícil sua volta pra terminar o ensino médio.